01 setembro 2009

 


There are more things in heaven and earth


As várias medições e projeções de uso de sistema operacional indicam que, em média, o Linux atualmente é usado por cerca de 1% das pessoas em computadores pessoais. Esse valor pode mudar de um país para outro, mas mundialmente essa é uma média aceitável.

Essas medições e projeções, todavia, não avaliam o uso de Linux (especialmente o núcleo (kernel) do Linux, e não necessariamente os sistemas operacionais GNU/Linux) em outros dispositivos eletrônicos. Equipamentos que não sejam computadores pessoais utilizam Linux com mais freqüência do que o senso comum supõe. De brinquedos a aviões, passando por telefones celulares e dispositivos de GPS, o Linux está bastante presente na vida das pessoas. De maneira geral, quando não se trata de um computador pessoal, os usuários não se incomodam em usar Linux e, por incrível que pareça, não se incomodam em aprender a usá-lo. Por que então as pessoas se incomodam em usar (e, se necessário, aprender a usar) Linux em computadores pessoais? A suposta necessidade de aprender a usar um sistema operacional diferente é um dos argumentos empregados na manutenção de Windows em estações de trabalho e computadores domésticos.

Atualmente, migrar do Windows para Linux equivale a migrar de um telefone celular da Motorola para um aparelho da Nokia: são sistemas diferentes (que implicarão certo aprendizado), mas que podem ser facilmente assimilados pelo usuário comum, porque, embora diferentes, os usos desses sistemas são razoavelmente lógicos e intuitivos, e guardam várias semelhanças entre si. Em outras palavras, dependendo da distribuição escolhida, migrar do Windows para o Linux demanda um pequeno aprendizado, que não é incompatível com os aprendizados exigidos das pessoas que trocam de telefone ou de televisor.

Grosso modo, teimar em permanecer com o Windows por causa de uma suposta dificuldade de aprendizado equivale a teimar em permanecer com um televisor da Sony, apenas porque seria necessário ler o manual de instruções de um novo aparelho da Philips.

Esse paradoxo (as pessoas freqüentemente mudam de software nos mais diversos equipamentos, mas se recusam a mudar no caso de sistemas operacionais de computadores pessoais) é explicado basicamente pela desinformação (de quem acredita que Linux não funciona) e por um temor irracional, que levam ao preconceito contra o que não é Windows. Nos casos em que o sistema operacional não é explicitamente enfatizado ao usuário (em celulares e dispositivos de GPS, por exemplo), as pessoas usam Linux normalmente. E são felizes.

Aplicar Linux em equipamentos que não sejam computadores pessoais é introduzir o Linux à população geral, contornando a resistência ao não Windows. Com o tempo, o uso subliminar de Linux pode desfazer preconceitos e permitir uma maior introdução em computadores pessoais.

Nesse sentido, iniciativas como o Maemo 5 (a ser utilizado pioneiramente no Nokia N900), que fascina o usuário com sua interface gráfica e seus recursos, são a esperança de termos uma futura libertação do domínio da Microsoft.

 

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